Estágio Orquestra de Palheta da Associação de Bandolins da Madeira 2010

Estágio da Orquestra de Palheta da A.B.M. 2010

De 6 a 10 de Setembro de 2010

O BANDOLIM – AO PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Maestro Convidado: Norberto Gonçalves da Cruz

A ASSOCIAÇÃO DE BANDOLINS DA MADEIRA apresenta-se com o lema, “O BANDOLIM – AO PASSADO, PRESENTE E FUTURO”. Este Estágio, além de reunir e preparar os músicos participantes, tem como principal objectivo documentar e promover o Bandolim no espírito e na realidade cultural madeirense, mostrando-o ao mundo, sob a forma de um Documentário amadorístico, que quanto a mim, bem poderá ser denominado, “O BANDOLIM – SUA ALMA NA VIDA DE UM POVO INSULAR”.

I Estágio Orquestra de Palheta em 2008

É com a maior alegria que laboramos para o desenvolvimento e o júbilo de todos os instrumentistas do Bandolim em especial, das Guitarras e de todos os instrumentos musicais que compõem os Agrupamentos, Tunas e Orquestras de Bandolins da Madeira, e consequentemente, de toda a Região Autónoma da Madeira. Não podemos deixar de registar que, pelo facto de vivermos numa ilha e região europeia ultraperiférica, deparamo-nos com alguns óbices, sendo para nós, o primeiro, a saída anual de alguns músicos já com alguma evolução, que por razões de estudos de natureza profissional têm de sair da ilha da Madeira, o que implica grande trabalho constante, e ininterrupta formação de novos músicos. O segundo óbice é o facto de que, para realizarmos qualquer evento que almejamos, para internacionalizar o Bandolim executado na Ilha da Madeira e intercambiarmos com outros Agrupamentos internacionais, necessitamos de meios financeiros.

Pessoalmente, nem que seja a última vez que o expresse, não posso deixar de opinar que, seja quem for o Presidente que dirija hoje e no futuro, a Associação de Bandolins da Madeira tem uma importante função a cumprir, que é a de ajudar a preparar técnica e artisticamente, reunir e auxiliar em todos os aspectos, os músicos interessados das zonas urbanas e rurais da Madeira, com o concomitante apoio dos poderes públicos, porquanto, a nossa Região não é somente o concelho Funchal. Além disso, defendo e proponho com uma visão cultural progressista, humanista, anti-retrógrada e futurista, que já no próximo ano, por parte de quem tem o respeitante poder, se realize o primeiro “Festival de Bandolins da Madeira” internacional, à semelhança do “Festival Raízes do Atlântico” e do “Funchal Jazz Festival”.

E ainda, observo um enorme equívoco que devo assinalar, e que é a concepção e a visão erróneas, e a falta de entendimento do verdadeiro sentido da planetarização que se aproxima como realidade imparável e definitiva, a respeito da Música e da Cultura, como observo na maioria dos homens materialistas a fazerem afirmações, como se a Música e a Cultura fossem objecto de puro negócio ganancioso e competição comercial, o que na realidade vai deixar de sê-lo futuramente na Terra, porque a verdade é precisamente o contrário, porquanto Música e Cultura, é um direito dos povos para a sua evolução e felicidade, que merecerá a melhor atenção de todos os dirigentes do mundo, e marcará o seu maior nível civilizacional e de confraternização planetária entre os povos, livre de proibições!

Com toda a certeza, fundamentado em sabedoria, assevero que, a Música, no futuro, além de terapêutica musical, destinar-se-á exclusivamente à saudável alegria colectiva e será motivo de melhoramento da consciência colectiva, porque ela age no físico, emocional, espiritual e mental!

A todos os músicos e consequente público ouvinte, desejo a fruição da alegria e de todos os sublimes valores intrínsecos da Música – a única Arte de Ciência Cósmica dos Sons que em toda a latitude cósmica é linguagem universal, une e confraterniza os homens e faz-se entendível em qualquer ângulo do nosso planeta, em prol da “Música e Cultura” da Região Autónoma da Madeira.

II Estágio Orquestra de Palheta em 2009

No corrente ano, os ensaios decorrerão do dia 6 ao dia 10 do mês de Setembro, no Colégio de Santa Teresinha, no Funchal, entre as 17H00 e as 21H00 horas, culminando com um Concerto pela ORQUESTRA DE PALHETA da ASSOCIAÇÃO DE BANDOLINS DA MADEIRA, às 20H00 horas do dia 11 de Setembro de 2010, no Auditório do CENTRO CULTURAL JOHN DOS PASSOS, na Vila do concelho da Ponta do Sol.

Como dantes, além do presente estágio ter como principal objectivo continuar com o despertar de todos os executantes do Bandolim na Região Autónoma da Madeira e valorizar as suas aprendizagens, é de realçar que é preciso aperfeiçoar técnicas, bem como inovar conceitos artísticos e estéticos, para o aprimoramento e consequente evolução presente e futura.

Novamente contando com a inestimável colaboração do concertista Norberto Gonçalves da Cruz como director artístico/maestro, este estágio surge em mais uma elevada acção por parte da Direcção da Associação de Bandolins da Madeira na formação de todos os executantes do Bandolim na Região Autónoma da Madeira.

Sem mais de momento, apresentando os meus cumprimentos cordiais e fraternais, subscrevo-me.

Funchal – Ilha da Madeira, 9 de Agosto de 2010

GUILHERME DE ABREU CORREIA – O Presidente da Direcção da Associação de Bandolins da Madeira

Repertório

1. Palladio  (de Karl Jenkins)

2. Adágio (de Tomaso Albinoni)

3. Overture to Memet (de G.B. Sammartini)

4. Adagio for Strings (de Samuel Barber)

5. Music for Play (de Claudio Mandonico)

6. Impressioni Orientali (de Rafaelle Calace)

7. Plink, Plank, Plunk (de Leroy Anderson)

Breve Referências

Elaboradas por Guilherme de Abreu Correia

1. Palladio (1. º And. Allegretto) – de Karl W. Jenkins

Karl William Jenkins (1944/…) é um músico compositor nascido no País de Gales e foi nomeado oficial da Ordem do Império Britânico na lista de honras do Ano Novo de 2005, pela rainha de Inglaterra, pela sua actuação no meio musical. Este primeiro andamento, Allegretto, de Palladio, um concerto grosso (estilo barroco) com três movimentos, foi escrito em 1996 e inspirado pelo arquitecto veneziano Andrea Palladio (1508-1580), cujo trabalho representa a celebração do renascimento da harmonia e da ordem, e que desenvolveu uma teoria da harmonia matemática a partir de medições das relações entre as grandes estruturas da Antiguidade clássica. Duas das suas principais características são a harmonia matemática e os elementos arquitectónicos herdados da antiguidade clássica.

Avaliado em termos de vendas de discos, Karl Jenkins é o mais bem sucedido compositor clássico britânico: o seu álbum Adiemus: Songs of Sanctuary,  já vendeu mais de três milhões de cópias em 50 países, e as suas continuações, “Adiemus: Cantata Mundi” e “Adiemus: Danças do Tempo”, todas rapidamente caíram nos tops. A sua música é amplamente conhecida através da publicidade usada na TV no Reino Unido, como a campanha o De Beers Diamond  (Palladio) e Delta Air Lines  (Adiemus). As suas composições de grande sucesso coral incluem o homem armado: uma Missa pela Paz, Requiem e Stabat Mater. Karl Jenkins tanto trabalha em casa, como na plataforma de concerto, no estúdio de gravação, ou escrevendo músicas para a televisão ou a indústria da publicidade.  A sua música atravessa todas as fronteiras, do jazz ao rock experimental, toda a música do mundo, e através da música clássica compõe para importantes intérpretes internacionais, como por exemplo a percussionista Evelyn Glennie, o cantor baixo-barítono Bryn Terfel e a Orquestra Sinfónica de Londres.  Como compositor, ele não reconhece fronteiras – musical, comercial, cultural ou geográfica. Ele tem uma maneira de pensar e de compor, que está em perfeita sintonia com o espírito dos tempos… Entre os mais populares compositores modernos, Jenkins, em 2004, entrou no Classic FM Hall da Fama no n.º 8: a posição mais alta para um compositor contemporâneo.

2. Adágio – de Tomaso Giovanni Albinoni

Tomaso Giovanni Albinoni  (Veneza, 1671-1751) foi um compositor italiano barroco. Enquanto na sua época foi famoso por ser compositor de óperas, actualmente é lembrado, principalmente pela sua música instrumental, algumas das quais são regularmente regravadas. O seu Adágio em Sol Menor, que na verdade é uma recomposição posterior, é uma das obras barrocas mais frequentemente regravadas. Massificou a sua música, mas graças ao seu talento melódico e estilo pessoal, foi tão popular na época quanto Arcangelo Corelli e António Vivaldi. Filho de rico fabricante de papel, não pensava em seguir as artes, e muito menos ganhar dinheiro com ela, recusando-se a gerir a herança do pai (fábrica), dedicou-se a compor músicas para violino, passando a responsabilidade da fábrica para os seus 2 irmãos mais novos. Estreou-se em Munique, em 1722, com fortes aplausos do público.

Albinoni escreveu cerca de cinquenta óperas, das quais 28 foram produzidas em Veneza entre 1723 e 1740, mas actualmente é famoso pela sua música instrumental, especialmente os seus concertos para oboé. Foi um dos primeiros compositores a escrever concertos para violino solo. A sua música instrumental atraiu a atenção de Johann Sebastian Bach, que escreveu pelo menos duas fugas sobre o tema de Albinoni e constantemente usava os seus baixos, como exercícios de harmonia para os seus alunos. Muito do trabalho de Albinoni foi perdido durante a Segunda Guerra Mundial com a destruição da Biblioteca Estatal de Dresden (Alemanha); deste modo, pouco se conhece sobre os seus trabalhos e músicas compostas após meados da década de 1720. O famoso Adágio de Albinoni é uma recomposição de 1945 de Remo Giazotto,  a partir de um fragmento do movimento lento de um sonata trio, que ele descobriu entre as ruínas da Biblioteca Estatal. Esta composição musical foi usada com maior notabilidade no filme Gallipoli, de 1981, que é cenário da Primeira Guerra Mundial para a batalha do mesmo nome.

3. Overture to Memet – de G. B. Sammartini

Overture to Memet (1732, Itália), da ópera “Tragédia” em três actos; os primeiros movimentos de dois dos mais antigos das suas conhecidas sinfonias aparecem como aberturas.

Giovanni Battista Sammartini (Milão, 1700/01-1775) é compositor italiano, irmão de Giuseppe Sammartini também compositor.  Ocupou os cargos de maestro di cappella,  de igrejas de Milão de 1728, e desde 1768, a capela ducal. Foi um excelente organista e professor. Até 1740 foi o compositor mais famoso da cidade e a sua música ganhou popularidade no exterior.  Sammartini foi uma figura de liderança no desenvolvimento do estilo clássico.  A sua música é notável pela sua forte continuidade, unidade e variedade rítmica da estrutura e textura.  Como primeiro mestre da sinfonia, escreveu 77 sinfonias, e entre as suas composições autenticadas, além dessas estão 31 concertos e um grande número de obras de câmara, incluindo várias sonatas.

Enquanto dos primeiros a combinar traços barrocos e clássicos, o período de meados de 1740-1758 cedo teve uma expressão clássica, muitos usando instrumentos de sopro (geralmente dois chifres ou trombetas), bem como de cordas.  As sinfonias de Sammartini foram muito tocadas por toda a Europa, incluindo Salzburgo, onde impressionaram o jovem Wolfgang A. Mozart. Christoph W. Gluck foi aluno de Sammartini, que também foi muito admirado e estudado por Johann Christian Bach, Boccherini e Haydn. Escreveu mais de 200 obras, entre concertos, peças orquestrais e de câmara, incluindo muitas sonatas trio.  Das suas últimas obras de câmara (nomeadamente seis quintetos de cordas, 1773) são as mais complexas.  O humor grave e expressivo da escrita, muitas vezes aparece nas suas três óperas (1732-1743) e a sua música religiosa inclui oratórias, cantatas e salmos.

Sammartini viveu a maior parte da sua vida em Milão e foi influente no desenvolvimento do estilo clássico de Haydn e outros.  Estilisticamente avançado, contribuiu para o crescimento da forma clássica, especialmente da sinfonia. Sem dúvida, Giovanni Battista Sammartini foi um compositor italiano do início do período clássico, conhecido pela sua função significativa no desenvolvimento da sinfonia. Rompendo decididamente com o estilo barroco, Sammartini aprovou o estilo galante, estilo associado aos ideais do Iluminismo. É evidente o seu impacto sobre outros compositores da época, incluindo Gluck, Boccherini e Haydn, embora o último compositor tenha negado qualquer influência directa.

4. Adagio for Strings – de Samuel Barber

Samuel Osborne Barber (1910-1981) foi um compositor americano para Orquestra, Ópera, Canto e piano. O seu Adágio para Quarteto de Cordas em Si Menor é a sua composição mais popular e amplamente considerada uma obra-prima da música clássica moderna. A gravação da estreia mundial de 1938, com Arturo Toscanini a conduzir a Orquestra da NBC, foi seleccionada em 2005 para a de preservação permanente no National Recording Registry para os Estados Unidos, da Biblioteca do Congresso. Ele foi duas vezes galardoado com o Prémio Pulitzer para a música, pela sua ópera Vanessa e o seu Concerto para Piano e Orquestra.

Este Adágio foi tocado no funeral da princesa Grace do Mónaco e no do cientista Albert Einstein (o físico autor da Teoria da Relatividade conhecida pela relação: E=mc² ou m=E/c²). …

Samuel Barber tocou e estudou a música de Johann Sebastian Bach. Também foi um adepto de Johannes Brahms, de quem aprendeu a comprimir as emoções profundas em pequenos módulos altamente carregados de expressão musical (Sonata para Violoncelo).

O estilo de composição de Samuel Barber tem sido elogiado pela sua lógica musical, o sentido de projecto arquitectónico, o dom melódico sem esforço, e o apelo emocional directo.
São dignas de registo todas as suas lindas Canções (completas), com realce para as Mélodies Passagères Op. 27 e as Hermit Songs Op. 29, entre outras.  As suas composições mais tardias incluem politonalidade (Segunda Sinfonia, de 1944); atonalidade (Medea, 1946); dodecafonia – técnica de doze tons (Nocturno, de 1959, e na Sonata para Piano, de 1949); e jazz [Excursões para Piano (de 1945) onde se pode observar ritmos de jazz correctos, apesar de esta obra de Barber estar repleta de blue notes, síncopas dos mais variados géneros, acompanhamentos típicos do boogie-woogie (baixo obstinato que utiliza oito notas por compasso) e progressões harmónicas do blues; as qualidades subtis e nem sempre completamente definidas que constituem o swing, nunca estão presentes] e a A Hand of Bridge, 1959).  Embora não seja pioneiro, as composições de Barber transpiram uma mistura eclética de correntes musicais que paira sobre o seu tempo. John Corigliano descreveu sucintamente o estilo de Barber, como “uma dicotomia interessante de procedimentos harmónicos – uma alternância entre pós Strauss,  cromatismo, e muitas vezes a típica americana simplicidade diatónica”. …

5. Music for Play – de Claudio Mandonico

Cláudio Mandonico (n. 1957), Regente da Orquestra de Plettro Citta Di Brescia, está entre os compositores contemporâneos cuja produção é em grande parte dedicada ao bandolim.

A Europa é um terreno fértil para novas composições para orquestra de bandolins.  Cláudio Mandonico, que é director musical do “Mandoline di Orchestra e Chitarre Citta di Brescia” é um compositor contemporâneo líder em cordas dedilhadas.  “Música para Tocar” é uma suite com três poderosos movimentos “Entrada”, “Canção” e um final pulsante “Rítmico”, que agarra a vivacidade da música popular, mantendo a clareza formal de um concerto para orquestra. Nas suas obras para orquestra de plectro, oferece um reportório a chegar à margem do universo clássico, com influências de jazz e música pop. “Ceciliana”,  obra composta durante os anos noventa, é uma boa ilustração; elaborada sobre um tema do jazzman Max Roach, desenvolve dez variações de estilos diferentes e escritos, e o tema constitui-se numa chaconne que, em primeiro lugar, melodicamente cai nas variações, para depois passar a uma mistura de finos clusters.

Algumas variações aludem outras influências: o brilho de uma suite para alaúde de Johann Sebastian Bach, ou o esplendor de uma sarabanda.  Dissonâncias progressivas levam a dois solos sucessivos, o primeiro a um solo de bandolim e o segundo a um solo de bandola. A orquestra, tocando a parte da secção rítmica do jazz, apoia as duas improvisações que, da forma como elas se movimentam, fazem o equilíbrio do trabalho como um todo. O Finale é delicado e expressivo, derramando um brilho transparente e elegante sobre o tema principal. …

6. Impressioni Orientali – de Raffaele Calace (Nápoles, Itália, 1863-1934)

Perguntei a alguns bandolinistas italianos e pesquisei sobre Raffaele Calace e o seu “Impressioni Orientali” Op.  132; ao certo, ninguém soube responder-me o motivo que o levou a compor esta peça bastante notável, com harmonias muito incomuns e escalas exóticas. Eu li na Internet: “Qual é o histórico do desempenho dessa peça? – Dada a sua data relativamente tardia da composição do bandolim da ‘Golden Age’ (evidentemente, de acordo com Sparks, foi escrito em 1925 durante o retorno de Raffaele Calace à Itália vindo do Japão de barco)… Alguém sabe?”

Agora, após minha pesquisa atenta, respondo com a minha lógica dedução: esta peça “Impressioni Orientali” Op. 132, foi inspirada no Japão e escrita por Raffaele Calace para posteriormente oferecer ao Imperador Hirohito do Japão, depois do ano 1926, uma vez que anteriormente, lá reinou o Imperador Taishō (1879/1926 – o 123.º) do ano 1912 até à sua morte em 25/12/1926. Portanto, não poderia ter sido anterior!

Sabe-se que duas peças de Takashi Ochi (n. 1934) mostram o enfoque oriental e são seguidas por uma obra que ilustra a experiência Ocidental no Oriente: a suite “Sakura” do guitarrista alemão Siegfried Behrend (1939/1990) para flauta, guitarra, percussão e “orquestra de pulso e púa” (denominação espanhola). Segue um capítulo central dedicado ao reportório romântico italiano com o que estas orquestras se apresentam no Japão em princípios do século XX: uma “mazurca” de salão de Alfredo Sarcoli (1866/1936) e duas peças – um grande prelúdio para Alaúde, e uma canção romântica para bandolim e piano – do grande maestro Raffaele Calace, respectivamente dedicadas ao Imperador Hirohito e à princesa Nagako e interpretadas por Ugo Orlandi, que logo tocou a flauta na obra de Siegfried Behrend como qualquer instrumento de plectro… [in, La mandolina y Japón: ENCUENTROS CASUALES]…

Raffaele Calace foi inicialmente treinado para se tornar um músico. Ao mesmo tempo, ele descobriu as possibilidades do bandolim e logo tornou-se um inigualável virtuoso bandolinista.  Depois de R. Calace se graduar com a mais alta honra no Conservatório Regio di Musica, em Nápoles, a sua principal intenção foi dar ao bandolim um honroso lugar, repleto de música.  Para isso, viajou pela Europa e Japão, dando inúmeros concertos de bandolim napolitano e de cantabile Liuto.  Raffaele Calace escreveu cerca de 200 composições que pertencem às mais belas e tecnicamente exigentes obras escritas para bandolim solo ou concerto, ou composições para bandolim em combinação com outros instrumentos, como duetos com piano; combinações trio com bandola e guitarra, ou quarteto de bandolim, romântico; até quintetos e concertos para bandolim solo com orquestra, etc. Calace também escreveu obras pedagógicas, entre as quais o seu método de bandolim, altamente elogiado e o método para tocar o cantabile Liuto.

Foi ele que estendeu o trasto do braço do bandolim até o vigésimo nono, e tinha o dinheiro para conseguir uma maior dimensão no concerto de bandolim que pudesse superar todas as dificuldades e técnicas especiais destes instrumentos. Na prática Calace foi o pai do bandolim moderno, como ainda é construído hoje.  Entre as suas muitas composições (e tratados didácticos, usados ainda) mostra o Prelúdio n. º 2 Op.  49. Esta autêntica peça de habilidade, melhor dito, de virtuosismo, também exige um grande intérprete musical. …

7. Plink, Plank, Plunk – de Leroy Andersen

Leroy Anderson nasceu em Cambridge, Massachusetts, U. S. A. (1908-1975). Estudou piano no Conservatório de Música de New England. Em 1925, Anderson entrou Universidade de Harvard, onde estudou teoria com Walter Spalding, o contraponto com Edward Ballantine, harmonia com George Enescu e composição com Walter Piston. Graduou-se com o grau de Bacharel em Artes em 1929 e Mestre em Artes em 1930. Também trabalhou como organista e director do coro da Igreja Congregacional Milton Oriente, conduziu a Banda da Universidade de Harvard e a condução e organização de bandas de baile em torno de Boston. O seu trabalho passou a despertar a atenção de Arthur Fiedler, e Anderson em 1936 foi convidado a mostrar composições originais a A. Fiedler.  O primeiro trabalho de Anderson foi na peça Jazz Pizzicato  (a parte Jazz Legato) em 1938.  As suas peças e gravações durante os anos cinquenta e a realização de uma Orquestra de Estúdio foram enormes sucessos comerciais. “Blue Tango” foi a primeira gravação instrumental a vender um milhão de cópias. Em 1951, Anderson escreveu o seu primeiro êxito (hit, top), esse “Blue Tango”, ganhando um Disco de Ouro e o N.º 1 nas paradas da Billboard.

Provavelmente as suas obras mais famosas são a “Sleigh Ride” e a “Syncopated Clock”, sendo que, ambas são instantaneamente reconhecíveis para milhões de pessoas.  Em 1950, em Nova Iorque, a WCBS-TV seleccionou “Syncopated Clock” como a canção tema para o Late Show, o filme da tarde da noite da WCBS. Mitchell Parrish adicionou um texto ao “Syncopated Clock” e, posteriormente, escreveu letras para músicas de outras peças de Anderson, incluindo “Sleigh Ride”, que não foi escrita como uma peça de Natal, mas como uma obra que descreve um evento de inverno.

De 1952 a 1961, “Plink, Plank, Plunk” foi usada como tema para o painel da CBS “I’ve Got a Secret” (Eu tenho um segredo). O estilo musical de Anderson foi fortemente influenciado por George Gershwin e a música folclórica de várias terras, empregando criativos efeitos instrumentais e, ocasionalmente, fez uso de elementos geradores de som, tais como máquinas de escrever e lixa.

Pela sua contribuição à indústria fonográfica, Leroy Anderson tem uma estrela na Calçada da Fama na “1620 Vine Street”. Postumamente, em 1988 ele foi introduzido no Hall da Fama dos compositores e a sua música continua a ser um marco do repertório da “Pops Orquestra”.  Em honra a Leroy Anderson, a Banda da Universidade da nova sede de Harvard, em 1995 foi nomeada de “Anderson Band Center”. …

Funchal – Ilha da Madeira (05-08-2010)

GUILHERME DE ABREU CORREIA – O Presidente da Direcção da Associação de Bandolins da Madeira