Bandolins pelo Mundo – Parte 2: Itália 1800-Hoje
- January 9th, 2008
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No final do século XVIII os construtores Vinaccia, Fabbricatore e Filano introduziram as primeiras alterações no bandolim e, no início do século XIX, Pasquale Vinaccia utilizou pela primeira vez cordas metal. Estas cordas, juntamente com melhoramentos na cravelhas metálicas permitiram a obtenção de uma afinação perfeita e possibilitaram o desenvolvimento da técnica do tremolo. No final do século XIX o instrumento estava presente em quase todas as famílias, mas no entanto, devido à popularidade da canção napolitana, o bandolim tinha sido relegado para a condição de instrumento popular.
Calace e bandolim napolitano
Depois da expansão na popularidade dos bandolins no início do século XIX, foi sobretudo Raffaele Calace (1863-1934, por muitos considerado o pai do bandolim moderno) quem influenciou os bandolins com a introdução do primeiro Mandolino Classico da Concerto (que podia ter uma escala com até 29 trastos) que se tornou no instrumento por excelência das academias de música e dos executantes em geral.
Raffaele continuou o ofício de seu pai, Antonio, primeiro com o irmão Nicola e depois sozinho a partir de 1911, tendo dedicado a sua vida aos instrumentos de palheta. Para além do bandolim, Calace produziu mais instrumentos. Criou um Liuto Cantabile a partir de um bandoloncelo transformando-o num instrumento para solista com 5 cordas duplas. Criou o Arciliute como substituto do contrabaixo nos ensembles de bandolins para que a orquestra de palheta fosse formada pelos seus instrumentos apenas.
Calace compreendia que o bandolim não podia tocar apenas composições feitas para outros instrumentos e, como tal, foi também um grande compositor. Embora menos conhecido que Vivaldi ou Beethoven produziu cerca de 180 composições (aprox. 3000 páginas) exclusivamente para instrumentos de palheta. Nas palavras de Giuseppe Anedda: “Calace foi para o bandolim o mesmo que Paganini foi para o violino” .
Actualmente a Liuteria Calace é dirigida por Raffaele Calace Jr. neto de Raffaele Calace. (Para saber mais sobre Calace consulte www.calace.it)
Embergher e o bandolim romano
Por volta de 1880, Luigi Embergher (1856-1943, filho de Pietro Embergher) dirigia já a liuteria fundada pela sua família na vila de Arpino. Seguindo o estilo de construção dos mestres Maldura e De Santis, os bandolins Embergher tornaram-se conhecidos pela sua qualidade, sendo grande a procura pelos seus instrumentos para solista.
O bandolim de estilo romano tinha um tampo mais plano em relação à escala e com um formato mais suave(em forma de lágrima). As características mais distintivas eram, no entanto, o cravelhame romano (semelhante ao da guitarra clássica) e o cavalete inclinado. Nos bandolins de Embergher a qualidade era sempre o mais importante. A escala tinha geralmente entre 25 e 29 trastos para a primeira corda e até 25 trastos para a segunda corda permitindo tocar duas oitavas. E enquanto nos bandolins napolitanos era utilizado papel para reforçar fundo instrumento, Embergher utilizava madeira, resultando daí um instrumento bastante sólido.
Domenico Cerrone (1891-1954) começou a aprender a arte de construção de bandolins com Embergher desde que tinha 8 anos e sucedeu a este na construção de bandolins em 1939. Anos mais tarde, Pasquale Pecoraro (1907 – 1987) juntou-se a Cerrone.
Com a morte de Pecoraro, em 1987, chegou ao fim a construção de bandolins no estilo exacto de Embergher. (Para saber mais sobre Embergher consulte www.embergher.com)
Orquestras
São muitas as orquestras que preenchem salas de espectáculo em Itália. De entre elas destaco as duas seguintes. A primeira por ser aquela como mais reportório editado e a segunda por ter um executante madeirense.
A Orchestra di Mandolini e Chitarre “Città di Brescia” (www.mandolinobrixia.it) foi criada no final dos anos 60 no âmbito do “Centro Giovanile Bresciano di Educazione Musicale” . Nos anos 70 tornou-se numa associação com o objectivo de recuperar reportório antigo e de difundir novas composições modernas. Juntamente como o trabalho de investigação, a orquestra iniciou um intenso programa de concertos a nível internacional, tendo actuado por toda a Europa. Duas das figuras mais sonantes da orquestra são o solista Ugo Orlandi e o maestro Claudio Mandonico.
O Quintetto a Plettro “Giuseppe Anedda” (www.quintettoanedda.com) nasceu como homenagem ao solista Giuseppe Anedda (1912-1997), avô de dois dos executantes. Pertence também a este quinteto o solista madeirense Norberto Cruz. O Quinteto Anedda já actuou por toda a Itália, na televisão e na rádio e em 2006 deu dois concertos da ilha da Madeira. Tem como objectivos principais recuperar reportório clássico e incentivar a criação de novas composições para bandolim.
Solistas famosos
Giuseppe Anedda (1912-1997) foi um dos executantes mais influentes em Itália tendo contribuído, por exemplo, para a divulgação dos concertos de Vivaldi para bandolim (quase desconhecidos até então). Pippo Anedda, como era mais conhecido, ganhou vários prémios ao longo da sua carreira. Quando era ainda jovem fundou o quarteto Karalis. Em 1952, inicia uma colaboração com os Virtuosi di Roma, a qual dura 16 anos. Venceu o prémio da Accademia Vivaldiana de Bruxelas pela interpretação como solista. De 1970 a 1975, foi professor na Manhattan School of Music em Nova Iorque. Foi um dos responsáveis pela instituição da cátedra de bandolim no Conservatorio Pollini de Padova, tendo dado aulas lá até 1980.
O episódio mais curioso ocorreu durante a actuação, em Abril de 1965, do ballet Agon de Stravinsky, o qual continha várias passagens para bandolim, pela Orquestra Sinfónica da RAI. Numa das interpretações ouve-se do fundo da alguém a gritar “Bravo Mandolino!” . Era o próprio Stravinsky que se levanta do seu lugar e vem cumprimentar Giuseppe Anedda ao palco.
Dorina Frati é considerada uma dos maiores virtuosos do panorama bandolinístico internacional. Estudou com o maestro Giuseppe Anedda, tenho sido a primeira pessoa a formar-se no curso de Bandolim do Conservatorio Pollini de Padova. Tocou com a Filarmónica do Scala, a Academia Nacional de Santa Cecilia, a Orquestra Nacional da RAI, a Orquestra de Câmara de Mantova e a Filarmónica de Roma, pelas salas mais importantes do mundo. Dirige a Orchestra a plettro del Centro Musicale del Villaggio Sereno de Brescia e é professora de bandolim no Conservatorio Casella em Aquila.
Ugo Orlandi é outro dos virtuosos internacionais do bandolim. Nascido em Brescia é um dos executantes da Orquestra Città di Brescia. Como solista tem participado em concertos por todo o mundo. É professor de bandolim no Conservatorio Pollini de Pádua desde 1980. Onde tinha estudado trompete e bandolim (com o maestro Giuseppe Anedda) anteriormente. É provavelmente o solista com maior número de gravações editadas incluindo-se entre elas o Musica da camera per strumenti a pizzico di R. Calace e 6 concertos para bandolim (com Claudio Scimone e os Solisti Veneti).




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